sexta-feira, 10 de junho de 2016

TESE PARA O IX CONGRESSO DO CPERS: POR UM CPERS ORGANIZADO PELA BASE E DE LUTA PELO SOCIALISMO (TESE DE N°3)

TESE PARA O IX CONGRESSO DO CPERS : POR UM CPERS ORGANIZADO PELA BASE E DE LUTA PELO SOCIALISMO (TESE DE N°3)


APRESENTAÇÃO           
A nossa luta ainda é defensiva e de propaganda do socialismo.

            Vivemos uma ofensiva da burguesia para a retirada das conquistas dos assalariados. As greves, em geral, são derrotadas. Quando vitoriosas, a burguesia retira com a mão direita aquilo que é obrigada a conceder com a esquerda. Os educadores são obrigados a fazer greve todos os anos num círculo vicioso onde mais perdem do que ganham. A atual direção do CPERS não rompeu com esta lógica e, por toda a sua política, não pode criar as condições para superarmos esta debilidade. Ao contrário: por defender um sindicalismo economicista e de cúpula, somente pode aprofundar esta tendência.
            As nossas lutas salariais devem estar inseridas num plano de controle da sociedade pelos trabalhadores, ou seja, do apoderamento dos trabalhadores sobre os meios de produção, derrubando o poder da burguesia. Devemos fazer a propaganda do socialismo com base na realidade, conscientizar pela propaganda concreta. Mostrar que não existe saída dentro do capitalismo. Como demonstrou a experiência com os governos do PT, o capitalismo não pode ser reformado. Enquanto este sistema econômico existir, somente poderemos esperar maior arrocho, miséria, desemprego e guerras. O capitalismo deve ser derrubado por uma revolução proletária. Apenas na luta pelo socialismo podemos arrancar da burguesia uma ou outra conquista, porque a mesma somente concede alguma reivindicação importante na iminência de perder tudo.
            Devemos fazer do CPERS uma escola de socialismo e uma real frente única dos trabalhadores. Para isso, temos que enfrentar e derrotar a burocracia sindical, que atua como correia de transmissão da política dos governos. Devemos realizar um trabalho permanente de conscientização. É indispensável unificar a luta com os demais trabalhadores. Somente na luta direta é que criaremos as condições para derrubar o sistema capitalista e construir a sociedade socialista.

CONJUNTURA

INTERNACIONAL
            Os trabalhadores estão pagando os custos da crise econômica através dos chamados planos de austeridade que preveem o aviltamento dos salários e das condições de vida. A queda tendencial da taxa de lucro decreta a agonia irreversível do capitalismo, que retorna à extrema exploração do trabalho do século XIX. A internacionalização da economia está em contradição com a existência dos estados nacionais. Daí a necessidade de submissão política e econômica dos estados periféricos às instituições internacionais de poder imperialista: FMI, Banco Mundial, Comissão Européia, FED, OTAN, Clube de Paris, Organização de Shangai. Em cada país, o verdadeiro poder concentra-se em instituições corporativas, tais como: o exército, as polícias, o judiciário, os bancos centrais, que devem ser independentes do voto popular e dependentes do imperialismo.
            As disputas inter-imperialistas estão exacerbadas. Após a segunda guerra mundial, a hegemonia econômica e militar dos Estados Unidos obscureceu, em parte, essas contradições. O imperialismo unificou-se no combate ao “socialismo” estalinista (o bloco soviético e a China). Com a sua derrocada, o império ocidental expandiu-se em direção ao leste e à Ásia. A maioria dos países da antiga União Soviética foram assimilados pela OTAN. A Rússia foi entregue a máfias de saqueadores vinculados ao ocidente. A China transformou-se num polo industrial, paraíso das multinacionais e sob condições de trabalho semiescravas.
            Após a restauração capitalista predatória, a retomada econômica propiciou ao governo Putin o retorno à tradição nacionalista, baseada na grande produção de petróleo e gás e respaldada no poderio militar herdado do passado. Na China, o vigoroso crescimento econômico controlado pelo capitalismo estatal criou as condições para a mesma aspirar à independência política. Tanto Rússia como China procuraram integrar-se ao capitalismo mundial na condição de parceiros. Esse status lhes foi negado pelo imperialismo hegemônico. Desde então, toda a geopolítica mundial gira em torno desse conflito entre o antigo imperialismo e os novos aspirantes.
            Modernamente, o imperialismo especializou-se numa nova modalidade de golpes de Estado, que ficou conhecida como “revoluções coloridas”. Consistem na derrubada de governos através de movimentos populares orquestrados por ele através dos seus agentes internos: partidos, imprensa, ONGs, etc. Ao mesmo tempo, criou exércitos mercenários (Al Qaeda, Frente Al Nusra, Exército Sírio Livre, Estado Islâmico) para a eventualidade de intervenções militares. Estes servem ao mesmo tempo como o grande inimigo, a justificar guerras de ocupação, e como amigos encobertos. O imperialismo patrocinou “revoluções coloridas” na Geórgia, Ucrânia, tentou desestabilizar governos, como no Irã, Venezuela, Equador, Argentina e agora no Brasil. Apoderou-se também dos movimentos da chamada primavera árabe, derrubou o governo líbio e tenta derrubar o governo sírio. Trata de cercar os seus rivais, Rússia e China, combatendo a sua influência sobre outros países, desestabilizando esses governos e intensificando os conflitos regionais. Procura destruir os BRICs. Hoje, o epicentro da crise internacional se concentra na Síria. Embora tenha arrefecido um pouco, essa crise não tem perspectiva de solução porque isso não interessa aos Estados Unidos. A sua política de caos permanente serve de justificativa para sua intervenção em todo o Oriente Médio e Ásia Central.
            Infelizmente, uma parte da esquerda (PSTU, CST, etc.) tem apoiado essas intervenções imperialistas, diretas ou indiretas, contra semicolônias (Líbia, Síria), sob pretexto de tratar-se de revoluções populares democráticas contra ditadores sanguinários. Não se trata de quão sanguinárias sejam essas ditaduras, mas de que o imperialismo é o inimigo principal dos povos. Essas ditaduras derrubadas pelo proletariado é a revolução que triunfa, e pelo imperialismo é a contra-revolução. A defesa das nações oprimidas contra o imperialismo é um princípio histórico do proletariado.
            Em alguns casos, o início desses movimentos foram realmente populares (Tunísia, Egito, Síria), mas logo dominados pelos agentes do imperialismo, principalmente, após sua transformação em guerra civil. Essa esquerda chegou ao cúmulo de apoiar o golpe fascista na Ucrânia. Para justificá-la, precisaram maquiar a realidade: subestimar a intervenção imperialista, relativizar o fascismo e inventar um suposto movimento independente. Uma revolução é uma luta pelo poder de uma classe contra outra. Nesses países, o proletariado não conta com qualquer organização política independente e na maioria nem sequer com sindicatos. Não se pode falar em revolução.        A Rússia possui bases militares na Síria. A sua destruição significaria o fechamento do seu acesso ao Mediterrâneo e o confinamento da sua frota do mar negro. Por isso, viu-se obrigada a intervir no conflito. Mas essa intervenção não visa a defesa da independência nacional Síria, mas proteger os interesses russos e chegar ao um acordo com o imperialismo.
            Da mesma forma que não se pode apoiar as intervenções diretas ou indiretas do imperialismo americano-europeu contra semicolônias, não se pode apoiar a intervenção russa, que age também como potência e exclusivamente em função dos seus interesses. Não defende as nações oprimidas e muito menos o proletariado. Não se pode apoiar a sua política externa e os seus acordos com o imperialismo. Isso não significa que os seus bombardeios ao Estado Islâmico e à Al Qaeda não sejam úteis ao povo sírio. Nem mesmo se pode apoiar a intervenção russa no leste da Ucrânia ou na Criméia, o que também não significa que não seja útil ao proletariado o combate russo ao fascismo ucraniano. Mas este é circunstancial. Caso amanhã o proletariado ucraniano tentasse a sua revolução, Putin enviará para lá o seu próprio fascismo e logo chegará a um acordo com o governo fascista ucraniano e com o imperialismo. O proletariado será sempre o inimigo principal da burguesia internacional, seja, russa, chinesa, americana ou europeia.

NACIONAL
            A conjuntura nacional está marcada pelo impeachment da presidente Dilma Roussef. Concorreram para isso: a crise econômica, os interesses imperialistas e a própria política capituladora do governo. A crise econômica internacional atinge duramente o país. A retração do comércio mundial provoca a recessão interna, o desemprego e as receitas caem. A economia está estagnada e em recessão. Estima-se que o país já conta com 10 milhões de desempregados. A crise trouxe consigo a queda internacional dos preços das matérias primas, de cuja exportação o país é dependente. Os alardeados “fundamentos sólidos” da economia consistem apenas na dependência dos produtos primários e dos capitais especulativos. O Brasil é uma semicolônia dependente da indústria dos países imperialistas. Não desenvolverá uma indústria nacional. A enorme dívida pública consome perto da metade do orçamento nacional.
            Sob a ameaça do impeachment, Dilma optou por uma política ainda mais recessiva para agradar ao capital, delegando essa tarefa ao banqueiro Joaquim Levy: desinvestimento, corte nas despesas públicas, nos programas sociais, juros altos e isenções fiscais. Essa política contenta a burguesia, mas ao mesmo tempo agrava a crise social, caldo de cultura do movimento golpista. Inicialmente, os governos petistas surfaram na onda da ascensão do comércio mundial e nos altos preços das commodities. Isso tornou viáveis os mesquinhos programas sociais: bolsa família, minha casa minha vida e a elevação do salário mínimo. Entretanto, no plano macro econômico sempre praticaram a política liberal: juros altos e incremento da dívida pública. Não foi solucionada nenhuma reivindicação fundamental da sociedade. Pode-se caracterizar esses governos como liberal populistas. Nem sequer reformistas. O discurso de “governo em disputa” sempre foi uma farsa para iludir os ingênuos e justificar a defesa do indefensável propagada pela burocracia e pela esquerda governista. 
            Com a crise, as condições para esses programas sociais deixaram de existir. A política do governo passou a ser o corte no atacado daquilo que foi dado no varejo. A conta foi apresentada aos trabalhadores através de um brutal ajuste fiscal. A política recessiva, já em plena recessão, afastou do governo os trabalhadores e a classe média, tornando-o ainda mais refém da burguesia. Restou o apoio da burocracia sindical (CUT), estudantil (UNE), camponesa (MST), de uma esmirrada vanguarda de esquerda e de uma minoria dos trabalhadores. Esse desgaste foi o caldo de cultura do impeachment. O PT e a direita tradicional são as duas faces nacionais do imperialismo. Os segundos são os representantes mais fiéis dos interesses americanos.
            A política de crescimento do PT se centrou na Petrobrás, responsável por 60% das obras do PAC. O governo Lula contraiu 10 bilhões de dólares de empréstimos da China, para inversão na Petrobrás. Na questão do pré-sal, o PT instituiu o regime de partilha que não é do interesse das petroleiras americanas e europeias, que exigem o modelo de concessão. Este modelo foi prometido por José Serra à Chevron e aprovado no congresso com o apoio do governo Dilma. Não por acaso, a Lava Jato e a grande imprensa procuram atacar a Petrobrás, para abrir espaço para as petroleiras imperialistas, conhecidas como Big Oil. A Lava Jato não foi uma investigação contra a corrupção, mas um complô contra o PT, tendo como finalidade depor Dilma, impedir a candidatura de Lula em 2018, destruir a Petrobrás e entregar o Pré-sal às multinacionais. Não combate a corrupção e não se restringe à legalidade vigente. O combate à corrupção é um pretexto, em parte real e em parte forjado, que encobre a corrupção dos seus adversários.
            Mas o “pecado capital” do PT diz respeito à participação do Brasil nos BRICs. Por isso, foi desestabilizado pelo imperialismo através da Operação Lava Jato (Sérgio Moro, os procuradores e a Polícia Federal, que têm estreitas ligações com o imperialismo e com o PSDB), com a cumplicidade do STF, do procurador geral e do Congresso Nacional. A mobilização da classe média coube principalmente a organizações financiadas por corporações americanas (Irmãos Koch e George Soros), como o MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem pra Rua. A Lava Jato transformou as suas “investigações” em espetáculo público e seletivo, quando se tratava de informações sigilosas, mas que eram vazadas para a Rede Globo, com quem estava em estreita dobradinha. Constituiu-se numa inquisição acima das leis do país. Houve escassa denúncia da sociedade. Grande parte da esquerda (PSOL, PSTU) a apoiou. Inclusive, o próprio PT. Somente assim, essa campanha golpista ganhou a opinião pública, sem a qual o impeachment seria impossível.
            A esquerda dividiu-se. Uma parte alinhou-se ao governo Dilma, em nome da defesa da democracia, abrindo mão da denúncia dos seus planos de ajuste antipopulares. Outra parte (PSTU, setores do PSOL) defendeu a criação de um suposto terceiro campo, denunciando corretamente os planos de austeridade e levantando palavras de ordem tais como “Fora Todos e Eleições Gerais”. O MRT defendeu a proposta de Assembleia Constituinte. O “Fora Todos” seria correto no campo da propaganda, mas como proposta de agitação imediata implica em apoiar o Fora Dilma, que é sinônimo de impeachment, porque os trabalhadores não estavam em condições de derrubar Dilma por si próprios. A proposta de eleições gerais significa trocar seis por meia dúzia, porque qualquer eleição, na atual conjuntura, leva necessariamente a uma nova hegemonia da direita. O mesmo se pode dizer da proposta de Constituinte. Na prática, esses setores representam uma linha auxiliar da direita golpista. Os primeiros sem sequer reconhecem a existência de golpe, que não se define pela legalidade formal, mas pelo casuísmo jurídico e político.
            A Construção pela Base entende que o governo Dilma é indefensável, pela sua política de ajuste contra os trabalhadores, que no fundamental é a mesma política dos seus adversários. Julgamos que o golpe se abate principalmente contra os trabalhadores, por criar uma situação mais favorável aos ataques contra eles. O PT até o último momento tentou se acertar com os golpistas. Temer acenou com a paz após o golpe, dizendo que a “sociedade não pode continuar dividida”. Para nós, ser contra o impeachment não implicou em apoio ao governo. Pelo contrário, a única forma de combater o golpe seria denunciar a política de arrocho, que era a plataforma conjunta tanto do governo Dilma quanto da oposição de direita. Passado o impeachment, a nossa tarefa consiste na continuidade do combate à retirada de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, que será praticada a fundo pelo novo governo, não sem o apoio velado do PT e sua base sindical (CUT, CTB), que nunca moveram um dedo contra esses ataques. Continuarão fazendo o mesmo com o próximo governo. A vitória dos trabalhadores contra os ajustes liberais é impossível enquanto forem dirigidos por essa burocracia traidora. A sua primeira tarefa é desmascarar os inimigos na trincheira, como pré-condição para poder enfrentar os inimigos explícitos: o governo e os partidos patronais.

ESTADUAL
            O governo Sartori (PMDB), gerente da burguesia gaúcha e alinhado com as políticas do imperialismo, assumiu o Estado, dando continuidade ao projeto neoliberal em curso no país. Aplica aqui os planos de ajustes do capital na perspectiva de repassar os custos da crise financeira para os trabalhadores. Nos primeiros dias do seu governo, suspendeu por 180 dias as nomeações de aprovados em concursos, e deu calote nos fornecedores do Estado, contraditoriamente logo em seguida sanciona os aumentos dos salários do governador, secretários e deputados. Criou o caos na saúde pública, em função da corte do repasse financeiro para os hospitais que prestam atendimento ao SUS, deixando milhares de trabalhadores no Estado sem saúde.
            No primeiro ano do seu governo, Sartori impôs o congelamento, parcelamento dos salários, corte de verbas públicas da saúde, educação, segurança, encaminhou projetos para ALERGS que atacam a previdência, cria a Lei de Responsabilidade Fiscal, extingue fundações estaduais, além disso, penalizou a população com o aumentou dos impostos.        Como parte dos ataques o governo divulgou a possibilidade de demissões dos servidores públicos (efetivados e temporários), com um argumento legalista, embasado na Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em seu governo, que prevê o descompromisso do governo com os gastos sociais que exceda a arrecadação do Estado, inclusive possibilitando demissões de servidores públicos. O governo espalha o terror quando declara a possibilidade de acabar com a estabilidade dos servidores, desta forma preparando o terreno político para demissões. Além disso, cortou os repasses financeiros das escolas, não pagou o 13º salários, atrasou o pagamento das férias, e continua com a precarização do trabalho através de mais contratações de trabalhadores temporárias.
            Com toda a crise econômica no Estado, o governo penaliza somente os trabalhadores, pois destina R$ 14 bilhões de reais em isenções fiscais a grandes empresas (Gerdau, GM, etc.) e 13% do orçamento anual para pagamento da dívida pública. Permite a farra com o dinheiro público, pois efetivamente não ataca os sonegadores de impostos, tendo em vista que R$ 6 bilhões de reais são sonegados no Rio Grande do Sul. Enquanto os sonegadores atuam livremente a população amarga com aumento de impostos.
            A grande mídia (ZH), braço ideológico do governo Sartori, espalha mentiras para convencer a opinião pública de que o problema nas fianças do Estado é a folha de pagamento e a previdência dos servidores públicos; em troca recebem isenções fiscais e a cumplicidade do governo na sonegação de impostos. A União não fica atrás, destina 47,5% do orçamento anual para o pagamento da dívida pública, enquanto o gasto com saúde e educação somam juntos, 7%. Enquanto os serviços públicos estão sendo destruídos, a burguesia e os agiotas internacionais são os beneficiados pelos governos de plantão.
            Os ataques não cessam: o governo Sartori sancionou a lei 202/2012 que amplia as Parcerias Público Privadas (PPPs), e modificou a lei 12.234/2005 acelerando as privatizações no Estado. Em nível federal o governo Dilma encaminhou para Câmara dos deputados a PL 4330/04, que regulariza as terceirizações em todos os setores, aumentando a exploração com aumento da jornada de trabalho, maior rotatividade e mais arrocho salarial.
            Assim como o governo Sartori, os sucessivos governos que passaram pelo Piratini mantiveram e aprofundaram essa lógica perversa do capital, porque estão unidos no mesmo projeto neoliberal do Estado mínimo. Para os trabalhadores o mínimo, e para o grande capital o máximo para garantir as suas taxas de lucros. Todos os governos estão juntos para passar os custos da crise para os trabalhadores.

BALANÇO DO CPERS
            A principal característica da situação interna do CPERS se expressa naquela compreensão de que o sindicato está afastado da base e tem levado a categoria a um acúmulo de derrotas, perda de direitos, sem novas conquistas. Os interesses da base não se expressam no CPERS, que fala uma língua diversa da que se fala no chão da escola. Isso se dá desta forma porque o sindicalismo praticado pelo CPERS é de cúpula e atrelado ao Estado burguês, ficando de costas para as reais necessidades da base. Assim, muitos colegas, equivocadamente, querem “punir” o sindicato desfiliando-se.
            O problema central do CPERS e dos demais sindicatos e centrais (CUT, CTB, Força Sindical, CSP-Conlutas, Intersindical) é a burocratização sindical, que significa a transformação dos sindicatos em agências do Estado. Este legalismo é uma das formas da burocracia emperrar as lutas. A burocracia sindical é uma casta que se autoprotege contra a organização de base, ou seja, é inimiga visceral da soberania das bases. É por isso que a principal causa da situação atual do CPERS (a desorganização, a desmoralização, a derrota das lutas) é a burocracia sindical, que o mantém afastado da base e próximo do governo. Enquanto o CPERS estiver dirigido por essa burocracia, a unidade real da categoria é impossível, pois os interesses de ambos os polos são opostos.
            A cooptação dos dirigentes sindicais, correntes ou partidos para defesa dos governos e patrões, se dá fundamentalmente através de um sistema de corrupção desses, que passam a ter privilégios frente ao restante da categoria. Esses privilégios vão desde uma simples dispensa do trabalho, da utilização da máquina do sindicato em proveito próprio (carros, computadores, celulares, verba salarial de representação sindical, diárias, viagens e outros), até o recebimento de vultosas somas pela assinatura de acordos rebaixados, concessões de viagens nacionais e internacionais, patrocínio para atividades dos sindicatos, liberação do ponto, financiamento de campanhas eleitorais, contratação de parentes, amigos e correligionários para a estrutura sindical. Nenhuma corrente sindical que passou pela direção do CPERS combateu estas graves distorções.
            Na era da decadência imperialista, os sindicatos somente podem ser independentes na medida em que tenham consciência de serem, na prática, os organismos da revolução proletária. Existe uma característica comum na degeneração dos sindicatos de todo o mundo: a sua vinculação cada vez mais estreita com o poder estatal. Este processo é característico de todos os sindicatos, sejam dirigidos por partidos, ou que se reivindique “neutro” e “sem partido”. Este fato, por si só, demonstra que a tendência a estreitos vínculos não é própria de tal ou qual partido ou indivíduo, senão que provém de condições materiais da economia capitalista monopolizada. Por tudo isso, os sindicatos ou são revolucionários socialistas ou são correias de transmissão do capital imperialista.
            A maioria das correntes sindicais do CPERS, tanto as da direção, como as que não participam dela, estão a serviço, mais ou menos disfarçadamente, da política do governo e da manutenção desta estrutura sindical burocratizada. A atual direção cutista do CPERS (PT-CUT, PCdoB-CTB, PDT), eleita em 2014, educa implicitamente a categoria para aceitação do capitalismo, propondo apenas a sua “reforma”, como se isto fosse possível. No máximo, questiona o governo de plantão no Palácio Piratini, desde que não se trate de um governo petista. Jamais questiona o capitalismo e suas instituições; nem, a democracia burguesa, que é uma ditadura do capital. Desviam as lutas para o terreno eleitoral, como se a eleição dos seus partidos fosse a solução para os nossos problemas. No terreno sindical, as lutas se restringem a objetivos estritamente econômicos, sem mostrar a responsabilidade do capitalismo. Esse método é conhecido como economicismo. Por tudo isso, o CPERS tem formado a categoria numa consciência pequeno-burguesa, oposta ao classismo. Esta conscientização – inclusive promovida por “cursos de formação” – é um grande empecilho para a unidade e a luta coerente de nossa categoria.
            A gestão da atual direção do CPERS se caracterizou pelo autoritarismo, aprofundamento da burocratização, da defesa do governismo petista e por não cumprir as resoluções aprovadas em congressos e assembleias gerais. A desfiliação do CPERS da CUT, ocorrida em março de 2015, foi uma farsa, pois o sindicato continua sendo correia de transmissão de sua política sindical e ainda destina o pagamento mensal para a CNTE, que é o “braço educacional” da CUT. O fundo de greve com o dinheiro destinado à CUT, aprovado em assembleia geral, nunca foi colocado em prática pela direção central. O Conselho Geral atual e as direções de núcleo sempre ratificam, no fundamental, toda a política da direção estadual.
            As assembleias gerais chegaram ao auge do autoritarismo com a instalação de grades e o impedimento de manifestação das posições das correntes sindicais minoritárias, como a nossa; bem como a contratação de seguranças privados, cuja função é dificultar e intimidar qualquer forma de oposição. O resultado catastrófico dessa política ditatorial que serve unicamente para conter as lutas se deu na assembleia geral de 11 de setembro de 2015, no Pepsi On Stage, onde a greve contra o governo Sartori, com grandes possibilidades de mobilização, foi desmontada por um golpe da direção central, que se negou a contar os votos sobre a continuidade do movimento. O resultado desta traição foi a drástica diminuição da participação da categoria nas assembleias gerais, a aprovação de toda a política de “ajuste fiscal” do governo Sartori e a descrença dos colegas de base numa saída coletiva, voltando-se para o individualismo.
            O principal acontecimento sindical da atual gestão do CPERS foi a greve massiva contra o governo Sartori (PMDB) e o seus aliados (PP, PPS, PSDB, PSB, PSD, PRB, PV). A grande mobilização dos servidores públicos foi uma resposta aos ataques do governo estadual e não mérito da política sindical do CPERS. Muito antes pelo contrário: o CPERS e a CUT se colocaram à frente do movimento para melhor domesticá-lo e freá-lo. A direção central apresentou à categoria a tática de “greve parcelada”, caracterizada por fazer alguns dias de greve, depois retornar ao trabalho, voltando à greve alguns dias depois. Esta “tática” foi defendida como uma “nova forma inteligente de fazer greve” para, supostamente, “dialogar com a categoria e estar de acordo com a sua vontade”, mas não passou de uma forma de arrefecer e acalmar o descontentamento e indignação da nossa categoria. Da mesma forma, o Fórum dos Servidores Públicos, que se constituía numa unidade de cúpula entre os sindicatos do serviço público, não serviu para unificar o funcionalismo público, mas criou uma grande muralha burocrática que visava conter a indignação da base de todas as categorias. As únicas greves que defendeu e patrocinou foram as antigreves da CNTE-CUT, cujas principais reivindicações eram de defesa do Plano Nacional de Educação (PNE) do governo Dilma.
            A atual direção do CPERS pratica um sindicalismo rebaixado e incoerente, que é incapaz de gerar confiança na base da categoria. Critica corretamente os ataques e os cortes orçamentários de Sartori, mas omite os de Dilma, que são essencialmente os mesmos. Denuncia as Organizações Sociais e PPPs com que o governo Estadual pretende privatizar a educação pública gaúcha, mas apoia o PNE, cuja essência é privatizar a educação pública em geral. A Articulação Sindical (CUT-PT) e o PCdoB – principais correntes políticas da direção – defenderam também a Reforma do Ensino Médio do governo Tarso, bem como a alteração nos planos de carreira do magistério.
            O Sineta – jornal oficial do CPERS – é usado inescrupulosamente para fazer propaganda política da atual direção, sem a menor preocupação com a organização de base, a orientação para um trabalho com os representantes de escola e a diversidade de opiniões. A burocracia dirigente pratica com os órgãos de imprensa do CPERS a mesma política que critica na mídia burguesa; qual seja: monopólio, distorções e propaganda para favorecer apenas para a sua fração política. A diversidade de opiniões da categoria, assim como a do povo brasileiro, não estão representados na imprensa do CPERS, nem na mídia burguesa.
            Por tudo isso, continuamos alertando a categoria e a vanguarda do CPERS sobre a necessidade premente de expulsar a burocracia sindical do CPERS e todas as correntes sindicais burocratizadas, que se caracterizam por relativizar ou mesmo negar este problema. Precisamos concluir a desfiliação do CPERS da CUT, desfiliando-o da CNTE e mudando a sua orientação sindical e política. É preciso derrotar esses agentes da burguesia no nosso sindicato, coisa que não pode acontecer espontaneamente. Sem uma direção que dê consciência à força elementar dos trabalhadores, a democracia sindical não é possível. Devemos atuar em todas as instâncias do sindicato fortalecendo uma oposição classista, como faz a Construção pela Base. Um CPERS democrático, classista, independente do governo só pode surgir com a derrota da atual burocracia e na perspectiva da luta pelo socialismo.


EDUCAÇÃO

A Educação pública como ferramenta de transformação social.
A Educação pública, se encarada como ferramenta de transformação social (voltada para a construção coletiva de conhecimento), pode ser base fundamental para impulsionar o esclarecimento da classe trabalhadora.
Escolas devem ser espaços de diálogo constante, lugares propícios para o desenvolvimento intelectual e emocional, onde a arte, filosofia e as ciências (como produtos da criatividade, imaginação e racionalidade humana) devem ser constantemente moldadas pela colaboração e interação de todos, em construção coletiva, erigida sobre a herança cultural universal da humanidade.
            O desenvolvimento da autonomia racional e criativa da pessoa humana, deve ser o objetivo máximo de toda educação, destacando sempre que tal só pode se efetivar na interação harmoniosa , construtiva e cooperativa entre indivíduo e coletividade.
Sabemos que, no contexto do capitalismo, a educação sofre, submetida aos interesses do mercado, que força o Estado a servir aos interesses da classe burguesa. Uma educação para formação de mão de obra acrítica e passiva é a consequência da implementação dos projetos liberais combinados ao conservadorismo no campo da política institucional, que pesa e tenta moldar a sociedade através do poder estatal combinado a forte influência da ideologia, propagada por intermédio dos meios privados de comunicação de massa. Romper com esse esquema de controle e adestramento de comportamentos, que impede o florescer da consciência de classe entre os(as) trabalhadores(as) é tarefa urgente!
            Precisamos lembrar que, sem ação colaborativa, sem soma de forças, é inviável a luta contra o poder da classe dominante que controla direta e indiretamente o Estado. De forma isolada não podemos avançar muito na luta; embora, toda colaboração individual seja extremamente relevante, é coletivamente que vamos efetivamente transformar a realidade.
            Como Educadores professores (as) e funcionários de escolas, temos um papel fundamental no processo de tomada de consciência da classe trabalhadora, pois, estamos em contato direto com a propagação do conhecimento científico, filosófico e da arte, nas escolas públicas que atendem os filhos das famílias da classe trabalhadora, cumprindo uma etapa importante no desenvolvimento intelectual desses jovens que depois irão ingressar nas universidades e no mundo do trabalho, onde poderão se aprofundar, ainda mais, na construção de conhecimento científico em prol da humanidade e nas lutas da classe trabalhadora da qual fazem parte. Como Educadores (as) não podemos jamais esquecer de nossa tarefa de colaboração na formação de sujeitos críticos, esclarecidos, autônomos e cientes do papel que cumprem na sociedade, como membros ativos da classe trabalhadora, visando a construção de uma sociedade socialista , livre e igualitária.

Os governos liberais avançam na privatização da educação pública através dos Planos Nacional, Estadual e Municipal da Educação.
            Os governos representantes do capital continuam na ofensiva contra os trabalhadores retirando todas as suas conquistas sociais. Os organismos internacionais (Banco Mundial e BIRD) os pressionam para o aceleramento das privatizações, através da aplicação dos Planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação (PNE, PEEs e PMEs), sendo estes executados pelos governos Dilma, Sartori (PT, PMDB...) e os demais governos de todos os partidos. Nestes ataques são apoiados pela CNTE/CUT/CPERS.
            A exemplo do governo argentino Mauricio Macri, que já demitiu mais de 24 mil trabalhadores do funcionalismo público argentino (fonte:http://cartamaior.com.br/…), o governo Sartori (PMDB) aplica a mesma cartilha neoliberal. Anunciou sua intenção de demitir servidores públicos, amparado legalmente na Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual. Libera e amplia as Parcerias públicas privadas (PPPs), através das leis 202/2012 e 12.234/2005, acelerando a privatização do Estado ao aplicar as metas privatistas do PNE e PEE.
            A atual briga pelo poder entre a direita golpista e o PT não pode ofuscar o fato de que a ofensiva é conjunta dos governos de todos os partidos contra os trabalhadores. No campo da educação, o PNE facilita esta ofensiva, legalizando-a. A privatização através das PPPs avança nos Estados e Municípios.
            Estes ataques aos trabalhadores servem para a sobrevivência do capital que está em decadência, sem possibilidade de reversão. Este é o preço da manutenção do capitalismo. A corrupção, as guerras, a exploração, o aprofundamento da barbárie são problemas inerentes ao capitalismo. Não existe saída para os trabalhadores por dentro dele e não há como reformá-lo (a política do PT é a prova disso). Somente na luta contra o capital e pelo socialismo poderemos forjar uma nova direção para nossa classe e colocar nos colocar a perspectiva de solução dos problemas que nos atormentam.

SINDICAL  

É preciso construir uma nova direção para a classe trabalhadora!
            Os sindicatos estão em crise, em razão de suas direções burocratizadas, vinculadas aos governos e partidos burgueses e oportunistas. O sindicalismo transformou-se numa profissão e os sindicatos em empresas das máfias. Nossas lutas são traídas e derrotadas. Há perda de direitos sem novas conquistas. A nossa categoria não poderá preservar seus direitos enquanto a direção estiver sob controle da burocracia sindical, casta inimiga dos trabalhadores. As organizações PSOL, PSTU e seus satélites colaboram com a burguesia ao plantarem ilusões na institucionalidade burguesa, de que através das eleições (parlamento e executivo) e Constituinte, é possível “humanizar o capitalismo”. Ou através de um “governo dos trabalhadores”. Vivemos esta experiência com o PT e seus aliados, PCdoB, PSB e outros, que em nome da governabilidade aliaram-se com a burguesia e continuam levando a classe a inúmeras derrotas, fortalecendo o setor da direita golpista, transformando-se num dos principais agentes do golpe contra os trabalhadores, contribuindo para continuação da exploração do capitalismo decadente. 
            Não é a toa que os trabalhadores estão desconfiados com a direção do Sindicato. A CUT-CNTE e as demais centrais sindicais transformaram-se em agências dos governos. Infelizmente, os trabalhadores não têm, e não pode ter, a curto ou médio prazo, uma alternativa própria de poder. Criar as condições para tal é a nossa tarefa. Isso implica derrotar as políticas oportunistas e o peleguismo sindical dentro do CPERS,e demais sindicatos, coisa que não pode acontecer espontaneamente. É necessário a criação de uma corrente revolucionária. Devemos atuar em todas as instâncias do sindicato enfrentando a burocracia e fortalecendo uma oposição classista. Um CPERS democrático, classista, independente do governo só pode surgir com a derrota da atual burocracia. Somente assim se pode criar um partido revolucionário, condição indispensável para que os trabalhadores possam almejar a conquista do poder político.

Nenhuma participação em fóruns governistas: comissões paritárias!
            O CPERS não deve participar de fóruns governistas, tipo Comissões Paritárias, onde participam representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores (Conselho Estadual e Municipal de Educação e outros do mesmo tipo). Estas servem para cooptar os trabalhadores para o programa da burguesia. São entidades do governo, que servem à conciliação de classe. A participação nesses fóruns é uma forma de conivência com o governo e os patrões, uma rendição de nossa classe.
            A experiência do CPERS nestes fóruns não fez governo algum recuar na retirada de direitos dos trabalhadores, como propagandeava as burocracias sindicais. Ao contrário: os fortaleceu. Ser contra a participação nestes fóruns não significa que os trabalhadores não possam negociar com o governo. Por exemplo: sempre que houver uma greve de campanha salarial, os trabalhadores mobilizados devem pressionar o governo em torno de suas reivindicações. Para isso, não é necessário entidades permanentes paritárias entre patrões, governo e trabalhadores. A participação nesses fóruns significa legitimar e ser conivente com os ataques dos governos e os patrões à nossa classe.

Método de exigência

            Só podemos fazer reivindicações respaldadas por mobilizações e que nunca criem ilusões de que um governo burguês possa romper com o capitalismo. Por exemplo: melhores salários, melhores condições de trabalho, serviços públicos de qualidade, moradia, saúde, educação, etc. Entretanto, não podemos exigir que um governo burguês suspenda o pagamento das dívidas públicas ou anule a reforma da previdência; e muito menos que estatize as empresas que demitirem, pela simples razão de que não podemos exigir que um governo burguês deixe de ser burguês. Fazer este tipo de exigência serve apenas para criar ilusões em nossa categoria ao invés de destruí-las, indo no sentido da preservação do capitalismo, e não da sua destruição. Também não podemos admitir programas comuns com os inimigos de classe ou seus representantes. Com estes podemos apenas fazer frente única em torno de reivindicações pontuais que defendam os trabalhadores, e nunca contra eles, como é o caso da exigência “PNE já” que foi feita em uma "greve" nacional da CNTE-CUT.

Fim dos privilégios dos dirigentes sindicais! Extinção da verba de representação!
Defendemos que os diretores do CPERS devem receber o mesmo salário que os trabalhadores da base, e que os mandatos sindicais de representantes de escola, núcleo, municipal estadual possam ser revogáveis, a qualquer momento a partir de um expressivo movimento da base da categoria.

REFORMA ESTATUTÁRIA

Por um CPERS organizado pela base!

Defendemos sindicatos democráticos baseados no princípio da soberania das bases organizadas por local de trabalho, ou seja, na democracia direta através da eleição de representantes por escola, etc. Os seus mandatos devem ser curtos e revogáveis a qualquer momento. Esse é o princípio de organização que propomos para o CPERS: realização de assembleias gerais por escola, incluindo professores e funcionários (ativos, desempregados e aposentados), sindicalizados ou não; eleição de comissões por escola, com funcionamento regular e permanente; eleição a cada 20 trabalhadores da escola de um representante para o Conselho de núcleo; eleição a cada 20 representantes de cada Conselho de núcleo de um representante para o Conselho Geral. Os seus mandatos terão a duração de um ano, mas podem ser revogados a qualquer momento. As reuniões do Conselho Geral devem ser abertas à participação de qualquer professor, com direito à voz.
            As Assembleias Gerais devem ser democráticas, mas sem democratismo, ou seja, não se pode cansá-las com dezenas de discursos sem objetividade apenas para contemplar as correntes políticas, como acontece atualmente no CPERS. Devem ser objetivas, deliberar sobre as propostas em pauta e organizar o movimento. A democracia e objetividade das Assembleias Gerais dependem de serem preparadas e precedidas por discussões e assembleias por escola e por núcleo. Todas as propostas que venham da base, dentro da pauta proposta, devem ser apresentadas no Conselho Geral que organizará a sua defesa na Assembleia Geral, sejam ou não membros desse Conselho, sem prejuízo de propostas apresentadas diretamente na Assembleia.

Pelo direito dos não sócios participarem das assembleias gerais que tenham como pauta a possibilidade de deflagrar greve.
            Para que uma greve tenha maiores chance de vitória é preciso que o máximo possível de educadores participe dela e possa decidir sobre os seus rumos. A chance de adesão à greve é muito maior; inclusive para incentivar uma futura filiação sindical. Por isso, defendemos que os não sócios possam entrar nas assembleias gerais que discutam e deflagrem greve, bem como as assembleias gerais que ocorram durante o movimento grevista.

O CPERS deve organizar os trabalhadores PRECARIZADOS (Terceirizados, Contratados, Estagiários, Oficineiros e outros) do Estado , incluí-los no quadro de sócios, para fortalecer a luta da classe trabalhadora.
            A conjuntura de derrota imposta pelo capital à classe trabalhadora aprofunda a barbárie social. Os governos em escala mundial impõem a retirada de direitos dos trabalhadores, através da flexibilização das leis trabalhistas, corte e aumento do tempo para as aposentadorias, parcelamento de salários, extinção de concursos públicos, redução de recursos humanos, sobrecarga de trabalho, assédio moral e outros. Além do avanço das terceirizações nos serviços públicos, com objetivo de reduzir custos, manter os lucros dos capitalistas, transferir os custos de suas crises para o ombro dos trabalhadores, e fragmentar os trabalhadores, evitando sua organização e resistência contra o capital decadente.
            O sindicato tem que superar a tática dos governos capitalistas de fragmentação da nossa classe, incluí-los nas fileiras do CPERS e levantar as suas reivindicações.

Defendemos a sindicalização dos Trabalhadores Precarizados e Desempregados!

Defendemos a sindicalização no CPERS os oficineiros da educação (Projeto Mais Educação, Escola Aberta e outros) que trabalham em escolas estaduais, sendo vinculado ao núcleo ao qual sua escola pertence, pagando uma mensalidade 0,5%, e também os trabalhadores em educação demitidos que tiveram vínculo com o Estado, permanecendo no núcleo a qual estavam vinculados, ficando isento de pagar a mensalidade.  Assim que estes trabalhadores tiverem outro vínculo empregatício formal o mesmo será desligado do sindicato.

Ratificar no estatuto o FUNDO DE GREVE aprovado em assembleia geral da categoria.
            Defendemos a inclusão em nosso estatuto do Fundo de greve aprovado em assembleia geral, bem como a prestação de contas deve ocorrer em assembleia do núcleo e geral, bem como ser divulgada no site e jornal do sindicato, para que todos os trabalhadores conheçam e tenham condições efetivas de opinar sobre as finanças do sindicato.

PLANO DE LUTAS

Defesa da Educação Pública! Rechaçar as políticas educacionais do imperialismo (PNE, PEE E PME)! Lutar contra os “ajustes fiscais”!

            A política educacional imperialista para o país é determinada pelo Banco Mundial, Banco Interamericano e Banco do Japão. Estes indicam a política dos governos para as áreas sociais, com objetivo de economizar custos nos serviços públicos, para que os governos garantam o pagamento em dia dos juros das dívidas públicas.
            Na educação, estas políticas estão expressas no Plano Nacional, Estadual e Municipal da Educação. Trata-se de planos com caráter privatista, que entregam a educação pública para as parcerias publico privadas, precarizam a educação através das terceirizações, transferindo recursos púbicos para o setor privado, justificando cortes de recursos humanos e de verbas. As conferências organizadas pelos governos não passam de jogo de cena, servindo para iludir os trabalhadores e cooptá-los para defender o projeto do imperialismo. Estes planos nunca foram disputáveis. Contribuir para esse engodo é semear ilusões na classe de que é possível disputar planos cuja essência é contra os trabalhadores.
            A defesa da Educação pública passa pela luta contra a aplicação dos Planos Nacional e Estadual de Educação. Estes dois instrumentos estão alinhados com a política privatista do Banco Mundial, que tem como objetivo privatizar a educação pública em todo o país, utilizando a terceirização através das parcerias público privadas e as organizações sociais. Nossa luta deve ser contra o financiamento do setor privado com o dinheiro público e pela estatização das escolas privadas.

Pela autonomia escolar!
Contra as intervenções autoritárias da SEDUC na escola pública; contra as direções autoritárias: autonomia para os conselhos escolares gerirem a escola pública em sintonia com os interesses da comunidade escolar.

Contra os Projetos de Leis da “Escola sem Partido”!
            O PL “Escola sem partido” representa uma afronta autoritária às liberdades democráticas. É uma reedição do AI-5 na escola, com o objetivo de cercear o direito dos professores e estudantes de debaterem questões políticas livremente, determinando o que a escola deve ou não fazer. O objetivo do PL é manter os estudantes alienados e acríticos das questões sociais, alijando-os de uma reflexão política acerca da sua realidade. Além de penalizar judicialmente o professor e a escola que oportunizar tal reflexão, o PL quer evitar qualquer tipo de mobilização em defesa da educação pública.

Contra o assédio moral!
O assédio moral é uma prática constante dos governos e de algumas direções de escolas que lhe são serviçais. Na educação o assédio se expressa através de agressões psicológicas, que adquire diversas formas: perseguição política, ameaças, repressão, coação, intimidação, constrangimento, proibição aleatória e outras formas. Os trabalhadores contratados são os que mais sofrem assédio moral por parte das direções, por seu vínculo ser precário.  Defendemos uma luta permanente contra o assédio moral, através de mobilizações e ações judiciais contra os assediadores.

Contra a precarização do trabalho através dos contratos “emergenciais”!
A precarização do trabalho, através da contratação “emergencial”, é uma política permanente do governo e uma política universal do capitalismo decadente. Portanto, a luta contra ela requer a unidade de todos os trabalhadores e não pode ser desvinculada da luta contra o capitalismo.       

Defesa dos trabalhadores contratados! Que os contratos sejam efetivados e regidos pelos planos de carreiras! Pela isonomia salarial dos trabalhadores contratados com os trabalhadores efetivos!
A defesa destes Planos passa, também, por lutarmos pela inclusão dos atuais contratados neles, isto é, que os trabalhadores contratados e nomeados sejam regidos pelas mesmas leis dos Planos de Carreiras da categoria.

Contra o desmonte da educação pública do governo Sartori! Contra o corte de verbas! Congelamento de salários!
            A política do governo Sartori representa a política do Banco Mundial na educação pública: Estado mínimo, corte de custos, privatização, favorecimento do ensino privado. Os cortes de verbas são uma forma de transferência para os trabalhadores da crise capitalista. Reivindicamos que nenhuma verba pública vá para as empresas privadas: verbas públicas para a educação pública!
            Contra o fechamento de escolas e de turmas! Que a burguesia pague pelos custos de sua crise, e não os trabalhadores e os seus filhos.

Contra o calote do piso e em Defesa do Plano de Carreira!
O Piso Nacional Salarial não passou de uma lei demagógica do governo Dilma/Tarso, que o governo Sartori também não cumpriu. A Lei do Piso tem como objetivo a destruição dos planos de carreiras, além de servir como uma suposta "bandeira de luta" para a burocracia sindical desviar o foco e o caráter da nossa luta, que é defensiva diante dos ataques do governo Sartori. Denunciar o calote do Piso e defender nosso plano de Carreira devem ser lutas interligadas.

Em defesa das nações oprimidas contra o imperialismo!

            A miséria social, agravada pela crise econômica, e o descontentamento com as ditaduras, desencadearam revoltas populares legítimas no norte da África e Oriente Médio. Entretanto, o imperialismo aproveitou-se dessas revoltas para financiar milícias e exércitos chamados “rebeldes” com o intuito de derrubar algumas ditaduras que não lhe eram de inteira confiança. Apoiamos as revoltas genuinamente populares, mas não apoiamos essas milícias armadas a serviço do imperialismo. Muito menos apoiamos a intervenção direta do imperialismo, como aconteceu com os bombardeios da OTAN contra o regime líbio.
            Da mesma forma, não podemos apoiar a intervenção indireta do imperialismo, como acontece na Síria através de exércitos armados e financiados por este, cujas bases encontram-se na Turquia. O imperialismo é sempre o inimigo principal dos povos, mil vezes mais nefasto do que essas “ditaduras sanguinárias” de terceiro mundo. Não se trata de medir quem é mais sanguinário, se Obama e Cameron de um lado, ou Kadafi e Al Assad, de outro, mas quem é mais poderoso e causa mais prejuízos à humanidade. Essas ditaduras, derrubadas pelos trabalhadores é a revolução que triunfa; derrubadas pelo imperialismo é a vitória da reação burguesa internacional. Tragicamente grande parte da esquerda dita revolucionária está alinhada ao imperialismo contra essas nações oprimidas em nome de uma fantasiosa “revolução democrática”. É preciso combater o imperialismo e seus prepostos nas suas investidas atuais contra as nações.
            Tampouco apoiamos a atual ocupação russa da Síria, porque isso implica apoiar toda a sua política externa para o oriente médio, inclusive, seus acordos espúrios com o imperialismo hegemônico. A Rússia não defende a soberania Síria, mas apenas os seus interesses. Devemos apoiar exclusivamente os ataques contra os grupos terroristas (Al Qaeda, Estado Islâmico, Irmandade Muçulmana, Exército Sírio Livre) porque esses são os inimigos principais do povo sírio e expressão da intervenção do imperialismo ocidental.


Assinam esta tese:  Movimento Autonomia e Revolução (M.A.R.), Construção pela Base e Luta Marxista.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Capitalismo, o modo de produção de uma sociedade atrasada.

Capitalismo, o modo de produção de uma sociedade atrasada. Capitalismo : modo de produção baseado na propriedade privada dos meios de produção , controlados por uma classe social que, também, controla direta e indiretamente o Estado ( usando-o como ferramenta para manter a submissão da classe trabalhadora a qual , com sua força de trabalho, gera a riqueza da sociedade e os lucros que mantém a classe dominante em seu status de poder) . A exploração do trabalho da classe proletária (trabalhadores dos campos e das cidades) move esse modo de produção. O fato dos meios de produção estarem sob controle da classe burguesa estabelece uma hierarquia de poder na sociedade, a desigualdade, e impede a plena e real democracia. Em suma: o capitalismo estabelece um modelo injusto, desigual, e atrasado de sociedade, que alimenta a competição entre as pessoas e o egoísmo pueril, rejeita a solidariedade , marginaliza milhões de pessoas, gera miséria e sofrimento no mundo, produz culturas doentias, poda a liberdade das pessoas (que perdem suas vidas em trabalhos estafantes , os quais não escolheriam se tivessem outras opções) e ainda corrói a natureza da qual nossa espécie é mais uma manifestação consciente, embora, muito infantil ainda. Uma sociedade formada por pessoas esclarecidas, inteligentes e responsáveis, diante da própria espécie e da natureza, jamais seria uma sociedade capitalista! Infelizmente o capitalismo, também se perpetua ideologicamente e atrapalha o florescer da autonomia racional humana, impedindo o pleno desenvolvimento intelectual e criativo da humanidade. Lutar contra esse modelo degradante de sociedade é uma questão de compromisso ético para com a espécie e o planeta. Paulo Vinícius.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Educação e Transformação Social.


 Educação e Transformação Social.

A Educação pública, se encarada como ferramenta de transformação social ( voltada para a construção coletiva de conhecimento), pode ser base fundamental para impulsionar o esclarecimento da classe trabalhadora (a maior parte da população, a força de trabalho que realmente gera riqueza e sustenta toda a sociedade, mesmo submetida a exploração, sob a égide de um modo de produção - o capitalismo - calcado sobre a hierarquia de poder e desigualdade).

Escolas precisam ser espaços de diálogos constantes, lugares propícios para o desenvolvimento intelectual e emocional, onde a arte, filosofia e as ciências (como produtos da criatividade, imaginação e racionalidade humana) devem ser permanentemente moldadas pela colaboração e interação de todos, em construção coletiva, erigida sobre a herança cultural universal da humanidade.

O desenvolvimento da autonomia racional e criativa da pessoa humana deve ser o objetivo máximo de toda educação, destacando sempre que, tal só pode efetivar-se na interação harmoniosa, construtiva e cooperativa, entre indivíduo e sociedade.
Sabemos que, no contexto do capitalismo (internacionalizado no processo de globalização), a educação sofre submetida aos ditames do mercado, o qual força o Estado a servir aos interesses da classe que hoje ainda controla os meios de produção e a mídia privada.

Uma educação para formação de mão de obra “acrítica e passiva” é a consequência da implementação dos projetos liberais (no âmbito econômico), combinados ao conservadorismo no campo da política institucional, que pesa e tenta moldar a sociedade através do poder estatal, somado à forte influência da ideologia propagada por intermédio dos meios privados de comunicação de massa. Romper com esse “esquema de controle e adestramento de comportamentos”, que impede o florescer da consciência de classe entre os(as) trabalhadores(as) e poda o pleno desenvolvimento intelectual de milhões de pessoas, é tarefa urgente!

Precisamos lembrar que, sem ação colaborativa, sem soma de forças, é inviável a luta contra o poder da classe dominante que controla direta e indiretamente o Estado. De forma isolada não podemos avançar muito na luta; embora, toda ação individual seja extremamente relevante, é coletivamente que vamos efetivamente transformar a realidade.

Como professores (as) e funcionários (as) de escolas, temos responsabilidade no processo de tomada de consciência da classe trabalhadora, pois, estamos em contato direto com a propagação do conhecimento científico, filosófico e da arte, nas escolas públicas que atendem os filhos das famílias de trabalhadores (as), participando em uma etapa importante no desenvolvimento intelectual desses jovens, os quais, depois, irão ingressar nas universidades e no mundo do trabalho, onde poderão se aprofundar, ainda mais, na construção de conhecimento científico em prol da humanidade e nas lutas da classe trabalhadora da qual fazem parte.

Não podemos jamais esquecer nossa tarefa de colaboração na formação de sujeitos críticos, esclarecidos, autônomos e cientes do papel que cumprem na sociedade, como membros ativos da comunidade humana, visando à construção de uma sociedade livre e igualitária.

Paulo Vinícius

(Professor de Filosofia e Sociologia na Escola Cilon Rosa).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

PSDB, AGORA COM UM PÉ NO GOVERNO TEMER, QUER RIFAR O BRASIL AOS EUA.

Imperialismo dos EUA, interferindo na política interna brasileira, de olho nas riquezas do povo brasileiro.



 quarta-feira, 11 de maio de 2016


Imperialismo dos EUA, interferindo na política interna brasileira, de olho nas riquezas do povo brasileiro.

Um clima de nova guerra fria aflora, dessa vez entre potências capitalistas declaradas (EUA e União Europeia) e antigas nações que ostentavam ideologias pseudo-socialistas (como o stalinismo e o maoismo ) e hoje se adaptam ao mercado capitalista internacional (caso da Rússia e China) , o Brasil é uma peça central nesse jogo e mais uma vez em uma posição subalterna.
Há uma pressão externa, por parte do imperialismo estadunidense, sobre a política interna brasileira, onde a Direita declarada avança sobre o espaço, até então, ocupado pelo Centro decadente.

O Brasil, como membro do BRICS, da UNASUL e do MERCOSUL, afastando-se da influência dos EUA, representa uma ameaça aos interesses dessa potência estrangeira.

O pré-sal , por exemplo, é foco de atenção dos EUA e União Europeia que direcionam indiretamente movimentos e partidos políticos de Direita (que defendem o liberalismo econômico combinado ao mais atrasado conservadorismo político) no Brasil os quais , com apoio da mídia privada burguesa (Rede Globo, Revistinha Veja, Bandeirantes e similares), articulam ações visando abrir caminho para acelerar a privatização do pré-sal, reproduzindo assim, mais uma vez, a “cartada” colonialista e imperialista, onde riquezas naturais, matérias primas importantes, que deveriam servir aos interesses da classe trabalhadora do Brasil (e em uma visão ideal, para a classe trabalhadora do mundo, em prol da própria humanidade), são tomadas pela burguesia nacional e de outros países.
É inegável a importância do Brasil (país de imenso território, fonte de minérios importantes, de vastas terras férteis, Amazônia rica em biodiversidade, fonte abundante de água potável, grande população...) como região estratégica para o desenvolvimento de um projeto socialista para a humanidade; o que acontecer nos próximos anos nesse país pode determinar o futuro da história humana e afetar seriamente a luta da classe trabalhadora rumo à construção de
uma sociedade socialista internacional.

O capitalismo, hoje ainda ostentado e defendido pela grande, embora, decadente, potência capitalista da América do Norte (EUA) resiste em despencar e avança vorazmente sobre as riquezas do Brasil para ganhar mais um fôlego, podendo se perpetuar por mais tempo usando as fontes de matéria prima brasileiras como combustível, mantendo assim a propagação de um projeto hediondo para a humanidade, um projeto calcado no aprofundamento da competição entre as pessoas, destruição da natureza, perpetrando a desigualdade e exclusão de milhares de entes humanos marginalizados e massacrados por esse modo de produção infame.

Precisamos reforçar a resistência contra os planos liberais da burguesia nacional e internacional (que pretendem se apoderar das riquezas do território brasileiro), manter firme oposição contra as privatizações e pressionar os governos (que possam, infelizmente, se alternar no controle do Estado brasileiro)  para que essas riquezas sejam efetivamente revertidas em melhorias para a classe trabalhadora!



M.A.R
(Movimento Autonomia e Revolução)

A Direita planeja vender o Brasil.

terça-feira, 12 de abril de 2016

a ilusão do livre mercado...

Só pode ser consequência de muita ingenuidade ou de uma compreensão extremamente distorcida e equivocada sobre o capitalismo, acreditarem que, com "menos regulamentação do mercado", as empresas que competem e buscam a maximização de lucros ( nesse modo de produção que tem entre suas principais características exatamente a "competição e maximização de lucros") , que essas empresas passariam, então, a buscar o bem estar de seus trabalhadores, produziriam e ofereceriam produtos melhores e não tentariam engolir empresas menores em concorrência. Nenhuma observação séria sobre o capitalismo pode confirmar esse tipo de "crença" tola, fruto de enrolação discursiva falaciosa e propagada por fanáticos.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Mensagem aos pais e mães de estudantes das escolas públicas do RS.

Sobre capitalismo, anarquismo e desvios intencionais no campo ideológico...


O capitalismo não é baseado em "trocas voluntárias", mas, sim na exploração do trabalho assalariado e propriedade privada dos meios de produção (que são controlados por uma pequena classe dominante formada por grandes empresários, grandes latifundiários, grandes acionistas, que patrocinam a elite dirigente , a qual, por sua vez, controla o Estado).
O Estado é usado como ferramenta de dominação pela classe dominante que o usa para garantir uma defesa contra as possíveis revoltas populares dos trabalhadores, contra greves, manifestações e ao mesmo tempo para aumentar a exploração sobre a classe trabalhadora .
Necessariamente o capitalismo envolve exploração do trabalho assalariado e desigualdade, isso é básico em todas as mais fundamentais definições de capitalismo, tanto Weber, quanto Marx concordavam nesse ponto.

-O anarquismo é uma ideologia de luta contra todo tipo de exploração, não é apenas uma luta contra o Estado, mas, uma luta contra a exploração da ignorância e ingenuidade das pessoas pelas religiões, uma luta contra a exploração do trabalho inerente ao capitalismo , uma luta contra a exploração de uma etnia sobre outras, contra a subjugação de um gênero sobre outro, contra a destruição da natureza da qual somos parte , etc. Capitalismo não combina com anarquismo, isso é um absurdo, o "anarcocapitalismo" é contraditório em si mesmo. Como pode um movimento anarquista aceitar a exploração da mão de obra por uma "elite" rica ???? Vamos pensar: as empresas que tanto se beneficiam com o Estado (que é controlado pelos partidos que as grandes empresas patrocinam) vão desejar realmente o fim do Estado que as protege contra a revolta dos trabalhadores ??? Isso é estorinha (com "e" mesmo) que contam para enganar adolescentes despreparados e com pouca leitura! Sempre que há uma crise econômica as grandes empresas correm para o Estado para evitarem falência (lembre o que aconteceu com a GM no EUA no auge da recente crise da bolha imobiliária...
-O "anarcocapitalismo" é um vírus dentro do movimento anarquista, um engodo para tentar enfraquecer e desvirtuar lamentavelmente a luta anarquista, pois, quem controla o sistema hegemônico sabe que o anarquismo propriamente dito seria uma grande ameaça aos interesses da classe dominante , então, inventaram "brilhantemente" essa grande bobagem que é o "anarcocapitalismo" o qual ainda se traveste do termo "libertário", ou seja, uma piada infame!
Anarquismo é luta contra o sistema, não aceitação da exploração, não é apologia do capitalismo! 

terça-feira, 29 de março de 2016

A geopolítica do petróleo e a conjuntura internacional

Retrospectiva e Desabafo.


Retrospectiva e Desabafo.
Fiz sim oposição ao PT, mas, não posso ficar calado diante dessa onda de estupidez que assola esse país, não é possível aceitar inerte que uma rede de televisão consiga manipular a opinião de milhões de adultos e tramar um golpe descarado contra a Democracia, como já fez em outras oportunidades de nossa história.

Antes mesmo de Lula chegar ao poder, critiquei a escolha do vice José de Alencar (na época do PL), vi nisso uma grande traição ao velho discurso socialista que o PT dizia defender nos anos 80. Não votei em Lula e fiz oposição, a meu modo, dentro das minhas possibilidades, durante as duas gestões de Lula . Sempre apontei como algo lamentável as alianças entre PT-PMDB e PP e as traições aos trabalhadores realizadas durante esses anos. Não votei em Dilma, critiquei seu governo , apontando os erros no que dizia respeito aos interesses da classe trabalhadora da qual faço parte. Portanto, não venham tentar diminuir minha posição (explicitamente contra o Golpe descarado da Direita), tentando "poluir o poço" com a risível acusação do "você é petralha", pois, quando muitos (que agora se fazem de ativistas esclarecidos e marcham com a Direita golpista) estavam coçando ao domingo, assistindo Faustão, tomando "cerveja de milho transgênico" (e ruminando informações distorcidas de ZH, Rádio Gaúcha e Globo), estava eu debatendo política com amigos ou pensando formas de atuar na luta sindical pela categoria dos professores. Participei de manifestações e atos pela melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora, pela educação pública e contra governos que serviam apenas às elites aqui no RS (entre eles governos do PSDB-PT-PMDB) .

Fiz sim oposição ao PT, mas, não posso ficar calado diante dessa onda de estupidez que assola esse país, não é possível aceitar inerte que uma rede de televisão consiga manipular a opinião de milhões de adultos e tramar um golpe descarado contra a Democracia, como já fez em outras oportunidades de nossa história.

Não é possível admitir que uma cambada de partidos que sempre atacaram os trabalhadores (PP-PMDB-PSDB-DEM...) e sempre defenderam interesses de grandes empresas (muitas estrangeiras), que venderam patrimônio público sempre que tiveram a oportunidade, que sabotaram (sempre que puderam) os serviços públicos e que sugaram o que puderam do dinheiro público, agora unidos, tentem um golpe para tomarem o poder com a intenção de "se safarem" de investigações e implantarem uma agenda liberal e conservadora para esmagarem a população brasileira, desejando entregar o pré-sal para forças estrangeiras que os controlam como títeres. É muito estranho esse ódio todo, concentrado contra um único partido, e essa "onda conservadora e raivosa" que tenta colocar toda a Esquerda dentro do mesmo balaio junto com o PT e varrer , através da intensa propaganda ideológica liberal voraz, qualquer discurso ou forma de organização política que lembre algo parecido ao socialismo (mesmo que apenas na cor da bandeira ou da camisa).

É muito espantoso o judiciário tratar com severidade um partido e com benevolência outros.
É muito curioso, alguns condenarem previamente pessoas contra as quais nada ainda foi provado e louvarem outros suspeitos de crimes que tentam tomar o poder a qualquer custo.

Derrubar um governo de Centro, assistencialista, uma social-democracia adaptada às condições do contexto social, político e cultural brasileiro, para abrirmos espaço para uma Direita declarada e "sedenta por sangue de trabalhadores", que planeja cortes nos direitos trabalhistas, é um erro gravíssimo, podemos cair em uma situação de pesado retrocesso!

Economistas diziam que o Brasil poderia se tornar uma "grande potência" em cinquenta anos, mas, agora estamos prestes a dar um passo para a nossa cova (no mínimo perderemos mais um bom punhado de décadas)!
Não podemos permitir que traidores do povo brasileiro, amigos dos EUA, tomem novamente o poder nesse país!

Não podemos aceitar que partidos liderados por canalhas como Eduardo Cunha, M.Temer, Renan Calheiros, Aéscio, Alckmin, Sartóri , com apoio da infame rede Globo, controlem totalmente o Estado brasileiro, pois, se hoje a situação é negativa, imaginem o que essa corja irá aprontar no poder e sem uma oposição forte na arena institucional, esses sim vão acabar se perpetuando por décadas no controle do Estado brasileiro para amargo desgosto da classe trabalhadora (isso se não aparecer algo mais bizarro, como um "Bozonazi da vida")!

Quero ver depois como os "ativistas de verde amarelo", tão espertos, que fizeram um "intensivão" "em ciência política" nessas últimas semanas na frente da TV ou lendo o "Gibi Veja", quero ver o plano dessa gente para tirar o "sindicato de ladrões" que pretende assumir o poder! É bem provável que vão voltar para a comodidade de seus lares para continuarem "esquecendo" como sempre antes fizeram, não ligando a "mínima" para os problemas políticos e sociais do país, até que a rede Bobo os convoque novamente ou quem sabe a FIESP os atraia com "patinhos amarelos" (ou seria como patinhos amarelos?), mas, isso apenas no caso da Direita perder mais uma vez a mamata, o que , se chegarem realmente ao poder, será muito difícil acontecer. O futuro é nebuloso e espero realmente estar errado nessa previsão.
Enquanto isso, poucos lembram das espionagens delatadas por um ex-agente secreto escondido na Rússia, esquecem das sabotagens contra o Brasil que hackers já denunciaram e poucos levaram a sério, esquecem do senador tucano que prometeu entregar o "pré-sal" aos estadunidenses e está cumprindo a promessa, e não percebem o frio clima de embates entre potências no tabuleiro do mundo, onde o Brasil é uma "rainha" indefesa e prestes a levar um ataque fatal, uma peça importante que ainda pensa ser "mero peão mal alinhado" e de fato assim acabará por ser, no ritmo em que o jogo vai. Paulo Vinícius

(Professor de Filosofia e Sociologia )

quinta-feira, 24 de março de 2016

A Ditadura e a traição ao povo brasileiro. (52 anos do golpe militar )


A ditadura militar no Brasil, foi um lamentável e longo período (de 64 até a primeira metade dos anos 80) de estagnação econômica, cultural e social, do país, sob monitoramento dos EUA. Os militares da época da ditadura traíram o povo brasileiro, endividaram o país com o FMI, perseguiram, mataram, torturaram e expulsaram intelectuais , artistas, democratas... As forças armadas na época da ditadura foram compradas pelos EUA (a História já demonstra isso exaustivamente , há inúmeras provas) tanto é verdade, que nem mesmo o próprio exército (somando a isso a aeronáutica e marinha) foi fortalecido nessa época, a ponto de chegarmos hoje e não termos defesas relevantes contra eventuais inimigos externos.

segunda-feira, 21 de março de 2016


 "Um professor deve trabalhar com um discurso científico e apresentar as possíveis diferentes interpretações sobre o tema abordado, tentando abrir espaço para um debate crítico e racional em sala de aula com os estudantes, tentando superar suas próprias opiniões subjetivas, para que não se prenda apenas em suas preferências pessoais ao falar sobre algum assunto; caso isso não seja possível por completo, que pelo menos tenha a honestidade de revelar o que prefere para seus alunos , mas, de forma educada, mostrando que há outras perspectivas além das suas e sem jamais podar o pensamento crítico dos estudantes.  "

Paulo Vinícius          

"anarcocapitalismo", a ideologia para cooptação de ingênuos .

"anarcocapitalismo"= ideologia contraditória que tenta unir o capitalismo com o anarquismo ou seja, forçar a união, de um modelo de produção baseado na hierarquia de poder e divisão entre classes, com uma proposta política , e de organização social, que é totalmente oposta a qualquer hierarquia de poder ou divisão de classes. Não passa da versão "pop revolts" do liberalismo, para encantar adolescentes doutrinados pelo discurso empreendedorista e com pouco conhecimento de sociologia e história, ingênuos que engolem sem crítica a falácia do "capitalismo como sistema de trocas voluntárias", esquecendo que esse modo de produção , na verdade, é baseado na propriedade privada dos meios de produção e exploração de trabalho assalariado, visando o lucro. Esquece, também, essa ideologia, totalmente sem sentido e fora da realidade que: quem controla o Estado, nas sociedades onde relações capitalistas de produção predominam, são empresas ou corporações capitalistas que interferem direta e indiretamente nas ações dos dirigentes políticos, os quais, por sua vez, atendem e defendem os interesses dessas empresas. Esquecem, também, os ingênuos ancaps, que o Estado, ainda em disputa ( que é a "válvula-de escape" do sistema capitalista regido por modelos liberais de democracia) , é a única proteção que as empresas pequenas possuem contra o avanço monopolista das grandes, e mesmo assim as grandes ainda conseguem manipular essas regras através de seus agentes políticos, agora imaginem "se nem isso mais existisse"? Sem falar na perspectiva dos trabalhadores que, sem nenhuma proteção contra a ganância por lucro das empresas e sem nenhuma oferta de serviço público, nessa sociedade distópica imaginada pelos ancaps, estariam totalmente a mercê da vontade de grandes corporações, mas, claro que essas grandes empresas serão boazinhas e vão cuidar bem dos trabalhadores né, óbvio que sim (ironia). Resumindo, anarcocapitalismo não passa de uma grande bobagem.

Algumas formas de uma potência econômica e bélica controlar outro país mais fraco, que esteja oferecendo alguma resistência a seu domínio, e sugar todas as suas riquezas:





Algumas formas de uma potência econômica e bélica controlar outro país mais fraco, que esteja oferecendo alguma resistência a seu domínio, e sugar todas as suas riquezas:

1-Fragilizar o governo desse país e a classe trabalhadora, provocar uma crise manipulada economicamente (o que hoje, na era da economia financeira especulativa, é algo relativamente fácil de fazer) e também ideologicamente , levar ao descrédito tal governo e fazer a própria população iludida substituí-lo por um de mais fácil controle e que sirva covardemente a seus interesses, para tal gera crises artificiais, infiltra agentes nesse país para propagar ideologia , controlar meios de comunicação, e patrocinar partidos de oposição ao governo (contra o governo que atrapalhar seus planos).
2-Se houver resistência do governo e de parte da população, a potência estrangeira, então, tenta colocar outra parte da população (conduzida por movimentos políticos, mídia e partidos traidores ) contra os que resistem; isso pode culminar ( quando não obtém resultados imediatos) em uma guerra civil , onde um dos lados será patrocinado e armado  pela potência estrangeira, acabando por derrubar a resistência ou deixar o país em frangalhos e assim as fontes de riqueza do país estarão facilmente sob controle da potência
estrangeira que rapidamente usa seus recursos bélicos para tomá-las pela força.
 
3-Criar grupos terroristas ou extremamente violentos que irão desestabilizar o país, causando sensação de insegurança e por consequência fragilizando o governo, que cai no descrédito da população, e então passa a ser substituído por um governo de mais fácil controle.

4-Disputando o Estado através do controle de dirigentes políticos traidores que , no âmbito legal, forçam a transformação das leis do país para facilitar seu controle.

5-Dividir a classe trabalhadora nesse país e voltar a opinião pública contra o governo que demonstrar uma mínima resistência, derrubando-o e controlando o Estado através de seus atores políticos manipulados.

6-Se nenhuma opção anterior funcionar, em último caso, a própria potência ataca diretamente o país mais fraco e toma pela força suas riquezas ou faz uso de um país aliado  e subalterno para atacar o país que deseja explorar.

#nãovaitergolpe             

quarta-feira, 16 de março de 2016

Golpes e jogo sujo na política. Uma afronta à segurança nacional.

Grampear conversa onde a presidente da república está envolvida e usar essa gravação com finalidades políticas é uma afronta à segurança nacional.
Você pode pensar o que quiser de Dilma, mas, essa é uma desmoralização lamentável para o país, consequência de uma palhaçada praticada por um juiz comprometido com um partido político.
Simpatizando ou não com esse governo, não interessa, quem tem bom senso reconhecerá que não há dúvidas : há um golpe de Estado em curso no Brasil e provavelmente há "dedo de potências estrangeiras nesse jogo" (a história demonstra que essa hipótese faz todo sentido) , dando força para partidos de Direita e mídia privada gerarem o caos nesse país , algo semelhante (ao que aconteceu recentemente na Ucrânia, mas, que, também, já aconteceu em outros países no passado) , para derrubar um governo de Centro e colocar no poder uma coligação declaradamente de Direita que será fantoche dos EUA sem restrições, facilitando assim a manutenção da exploração sobre nosso país e o escoamento de nossas riquezas (como o pré-sal) para o exterior, algo que sempre tentaram fazer por aqui.
As alianças do PT com a Direitalha (PMDB-PP e companhia) e o distanciamento desse partido com relação aos interesses da classe trabalhadora e a Esquerda, deixou o atual governo na dependência das estratégias de poder de PMDB que agora abandona o barco somando forças a outra parcela da Direita na oposição (inclusive boa parte do PMDB em alguns Estados, grupos que já estavam fazendo oposição ao governo Dilma).
Lei 7.170: Art. 1º - Esta Lei prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de lesão:
I - a integridade territorial e a soberania nacional;
Il - o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito;
Ill - a pessoa dos chefes dos Poderes da União.



Entre o Centrão e a Direita, a saída é pela Esquerda.

As "elites" foram para a rua ao lado de líderes políticos corruptos como Aécio e fascistas como Bolsonaro (acompanhado de pastores evangélicos oportunistas, que exploram a religião como comércio), somando forças a partidos como DEM e PSDB, que estão atolados em corrupção (sem falar nos "insanos irresponsáveis" pedindo a volta da ditadura militar).
Indivíduos oriundos da "classe média" e "classe média alta" berraram nas ruas para expressarem analfabetismo político, como marionetes de um plano internacional de subjugação do Brasil, por interesses estrangeiros atentos a maior reserva de petróleo descoberta no mundo nos últimos anos.
Não pensam nas consequências insensatas de tentarem derrubar, no grito e sem motivos suficientes, uma presidente , eleita democraticamente (ou seja, dentro das regras da democracia liberal burguesa) , para abrirem espaço para PMDB, que já controla a câmara dos deputados (com Eduardo Cunha, corrupto) e o senado (com Renan Calheiros, corrupto) sem falar em Temer (o vice de Dilma, também, envolvido em casos de corrupção).
Foram às ruas como fantoches de uma mídia privada (Globo e companhia), interessada em defender interesses de seus patrocinadores.
Nas ruas a “elite” somou força ao discurso entreguista de Serra (PSDB, partido que desvia verba de merenda escolar em SP , reprime manifestações de professores e estudantes, e fecha escolas) que pretende entregar o pré-sal para a exploração de empresas privadas estrangeiras , tirando a Petrobrás da jogada, e acabando com qualquer possibilidade de aplicação dos royalties do petróleo para a educação (o que hoje não passa de mera promessa).

Um juiz arrogante, com salário de mais de setenta mil reais e auxílio moradia de quatro mil e trezentos reais, que pensa ser pop star,  simpatizante do PSDB, arma um circo para liquidar com um partido que plantou seu próprio veneno ao se aliar com a Direita mais arcaica desse país e se distanciar das bases ; um partido ( o PT) que escolheu trair a classe trabalhadora e a Esquerda, com a desculpa de garantir a governabilidade ao lado de partidos da burguesia.
Moro ataca apenas PT, mas, esquece de partidos que aparecem com uma grande quantidade de nomes envolvidos no caso investigado pela operação "lava-jato"; nomes do PP, PMDB e ícones do próprio PSDB (como Aécio), partido ao qual é filiado, são esquecidos pelo tal juiz.

A Direita ganhando força e alimentando a desinformação, e o sentimento de ódio da classe média, de onde vem tirando fôlego para suas armações políticas, com apoio da mídia privada, arma o golpe contra o Centrão (PT e PC do B). Corremos o risco de sairmos de uma situação ruim, para cairmos em uma cem vezes pior.

As ameaças aos direitos dos trabalhadores são constantes nas unidades da federação governadas por partidos que hoje defendem, sem vergonha, pautas de Direita (liberais e conservadoras) tais como o PMDB-PP-PSDB-DEM, representando os interesses de grandes empresários e latifundiários que, há décadas, interferem, direta e indiretamente, na política brasileira. Governos desses partidos tentam dilapidar os serviços públicos e atacam ferozmente direitos trabalhistas, sucateando escolas e hospitais públicos, na intenção de abrirem espaço para a iniciativa privada de empresas que patrocinaram suas campanhas.

Querem atacar toda a Esquerda, confundindo o PT ( que está hoje no poder) com a Esquerda, como se toda a Esquerda fosse igual a esse partido. Mas, a verdade é que, a Esquerda jamais chegou perto do poder no Brasil.
PT chegou ao poder aliado à Direita, se comportando como Centro e expulsando as correntes mais radicais do partido (as que realmente pareciam fiéis aos ideais socialistas sob perspectiva marxista-trotskysta).
No poder, PT governou até hoje aliado ao PMDB e PP(antiga Arena), partidos que defendem escancaradamente pautas liberais e conservadoras, ou seja, a Direita (liberal e conservadora, unidas) . Agora PMDB (ainda o maior partido do Brasil) abandona o barco, deixando PT em uma situação difícil; eis o preço de aliar-se a representantes da classe burguesa e se distanciar dos interesses da classe trabalhadora. Não podemos esquecer que muitas vezes o PT traiu a classe trabalhadora ao defender interesses de banqueiros, grandes empresários e do agronegócio.

Precisamos lembrar, também, que há olhos estrangeiros atentos a esse jogo político no Brasil. O Brasil, que hoje faz parte do BRICS, através das ações de PT e PC do B no governo federal, travou acordos com Rússia e China para a criação de um banco internacional de desenvolvimento que superaria o FMI e Banco Mundial. Empresas chinesas ganharam o direito de explorarem , sob monitoramento da Petrobrás, importantes reservas de petróleo no leilão do pré-sal que ocorreu anos atrás. A China pretendia investir bilhões no Brasil em infraestrutura e construir uma grande estrada de ferro que cortaria a América do Sul , do pacífico ao Atlântico, passando pelo Brasil, isso fez com que os EUA apressassem um acordo comercial internacional com países da ásia e América Latina ("Tratado Transpacífico" )para fazer frente aos avanços chineses nessas regiões.
Há uma guerra ainda em curso na Ucrânia contra a Rússia (disputa pela Crimeia), sendo que a Ucrânia recebe apoio dos EUA e União Européia. Uma guerra é travada , também, na Síria, aliada da Rússia, onde rebeldes e até mesmo o Estado Islâmico recebem apoio oficial ou extraoficial (caso do Estado Islâmico) dos EUA.
Países árabes, com reservas de petróleo,  que antes eram aliados da Rússia, sofrem hoje com guerras civis ou são governados por regimes que assumiram o poder pela força, com auxílio bélico de EUA e União Européia. Tudo isso demonstra que vivemos um clima de nova guerra fria no mundo, apesar do fim da rivalidade entre blocos ideológicos "capitalismo x socialismo".
Há uma rivalidade entre potências econômicas e bélicas disputando o controle do mundo, e o Brasil é uma peça importantíssima nesse jogo, sem falar a já mencionada reserva de petróleo do pré-sal que é vista como "uma das maiores reservas descobertas nos últimos anos no mundo", como já destacado acima, e iniciativas do atual governo para equipar com melhores armamentos as forças armadas (construindo o primeiro submarino nuclear brasileiro e comprando novos aviões para a aeronáutica).

O mercado não está longe dessa trama política: algumas empresas capitalistas fizeram parceria com esse governo e com ele cresceram e despertaram a ira de suas concorrentes nacionais e internacionais..

Temos, então, um péssimo cenário de embate entre forças políticas no Brasil e um nebuloso cenário na geopolítica internacional.

Hoje traído por seus aliados de Direita, o PT agoniza, o Centro está em queda e   pode infelizmente abrir espaço para algo bem pior: uma Direitalha Liberal unida com uma Direitalha conservadora , a serviço de interesses estrangeiros, poderá assumir o vácuo deixado pela provável queda desse governo.

Precisamos construir uma alternativa realmente de Esquerda a tudo isso , arquitetarmos uma grande mobilização, por fora do sistema , nas bases, com os trabalhadores organizados, movimentos sociais, defendendo a causa da classe trabalhadora.
A informação, incitação ao pensamento crítico, formação política, enfrentar os discursos ideológicos da Direita, são armas imprescindíveis nesse momento, e uma aproximação entre todas as tendências da Esquerda Socialista (de marxistas a anarquistas) se faz urgente, pois, os ataques que podemos prever serão pesados.

Paulo Vinícius.
(Professor de Filosofia e Cientista Social )





segunda-feira, 7 de março de 2016

Em busca de uma alternativa.





Não devemos defender governos, mas, tentarmos construir uma alternativa, realmente de Esquerda, ao projeto petista e lutar contra o avanço da Direita no Brasil, porém, tendo a consciência clara de que, se o Centro for derrubado do governo, agora, provavelmente, coisa pior irá assumir o poder nesse país e os ataques contra a classe trabalhadora serão mais graves do que já são, pois, a alternativa que temos que construir ainda, infelizmente, não foi efetivada em sua plenitude. Infelizmente não temos forças suficientes no momento para sobrepujarmos a "Direita declarada" em uma possível queda do projeto petista de poder, em uma situação de avanço da Direita sobre o espaço que pode ser deixado pelo Decadente Centro. Temos que ser realistas. Ajudar os planos da Direita é suicídio político, "um tiro no pé".
É preciso ter ciência de que o atual governo é um governo com características centristas, onde partidos de Centro (que já tiveram uma história dentro da Esquerda socialista que disputava espaço na arena institucional nos anos 80, falo do PT e PC do B, mas, que da Esquerda se distanciaram) , estão aliados a partidos hoje declaradamente de Direita, tais como o PMDB e PP, que defendem pautas conservadoras e liberais). PMDB e PP que aos poucos abandonam o barco.
Há também uma Direita fora do governo, mas, que deseja assumir novamente o poder e que possui o apoio da grande mídia burguesa , de algumas grandes empresas e até de forças estrangeiras que não se sentem beneficiadas pelo atual governo. Dentro do próprio governo temos partidos que fazem um jogo duplo; os já citados PMDB e PP,  ao mesmo tempo que apoiam e estão no governo, muitos de seus deputados e senadores fazem, também, oposição e alianças com a oposição.
O melhor a fazer, por enquanto, é pensarmos urgentemente o projeto de alternativa a esse jogo sujo das atuais elites que disputam o controle do Estado e manipulam a opinião pública no Brasil; temos que observar e traçar estratégias, dialogar com aqueles que estão próximos ao que defendemos (uma sociedade realmente socialista, democrática e igualitária, voltada aos interesses da classe trabalhadora e propícia para o florescimento livre da criatividade artística, filosófica, da produção científica e tecnológica, em harmonia com as condições oferecidas pela natureza, com liberdade real, distante da exploração desumana que hoje é a base do mercado capitalista globalizado; esse é um grande projeto, que soa como utópico, mas, temos que, pelo menos, tentarmos nos aproximar da realização dessas ideias), precisamos somar forças, agir dentro de sindicatos e movimentos sociais, enfrentando o governismo e as ideologias propagadas pela classe burguesa, mobilizando a classe trabalhadora e espalhando informações , teoria e propostas de ação, atacando com força o lado que aparentemente é o pior nesse jogo, o qual parece ser, sem muitas dúvidas, o lado da "Direita que está fora do governo" e que deseja novamente o controle total do Estado, sem , no entanto, esquecermos, também, de denunciar os ataques contra os trabalhadores por parte do atual governo.

Paulo Vinícius.
(professor de Filosofia e Sociologia)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

documentário " Trabalho interno"

http://3000filmes.com/trabalho-interno-legendado/


Sinopse:Narrado por Matt Damon, o documentário revela verdades incômodas da crise econômica mundial de 2008. A quebradeira geral, cujo custo é estimado em US$ 20 trilhões, resultou na perda do emprego e moradia para milhões de pessoas. Com pesquisa e entrevistas, o filme revela as corrosivas relações de políticos, agentes reguladores e a Academia.Assistir Trabalho Interno Online Filme Dublado

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Analisando brevemente o argumento "ontológico" de Plantinga, que tenta provar pela lógica a existência de "deus" .

Analisando brevemente o argumento "ontológico" de Plantinga, que tenta provar pela lógica a existência de "deus" ( as premissas do argumento estão identificadas com seus devidos números em sequência, entre parenteses estão meus comentários):
1-É possível que deus exista
( só podemos afirmar isso baseados na noção de que a racionalidade humana tem limites, que ,talvez, nossa capacidade racional não seja capaz de compreender toda a realidade, ou seja, esse é um reconhecimento de ignorância, não do mérito da hipótese; trato desse ponto um pouco mais, abaixo, após a análise do argumento)
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2-Se é possível que deus exista então deus existe em alguns mundos possíveis ( mais uma hipótese nada consistente, temos aqui novamente uma hipótese baseada no reconhecimento dos "limites de nossa racionalidade" ( é possível que deus exista, já que não tenho certeza absoluta que ele não existe, já que a razão tem limites ...) somada a uma outra hipótese nada consistente que é a hipótese de "mundos possíveis": qual a possibilidade de que existam mundos possíveis além da mera imaginação hipotética ? Alguém pode mencionar a possibilidade de "universos paralelos", "multiverso ", mas, além de não termos
certeza alguma sobre essas teorias da astrofísica , poderíamos muito bem afirmar que a totalidade desses possíveis "universos paralelos" são nada mais que o próprio universo, podemos usar o termo totalidade existente para isso e ainda teríamos os "mundos possíveis" incluídos nessa totalidade, como hipóteses na mente de "entes racionais" que existem no universo real, meras hipóteses e produtos da imaginação...Como conhecemos apenas esse mundo no qual vivemos, essa hipótese é muito fraca e desnecessária.
-Alguém, também, poderia mencionar que "mundos possíveis" são apenas uma hipótese lógica: ok, assim realmente é, mas, o próprio argumento relaciona mundos possíveis com "mundo real", afirmado logo mais que " se deus existe em alguns mundos possíveis , então, deve existir no mundo real...", para analisarmos essa afirmação bolei um argumento simples para mostrar que podemos chegar a algo mais interessante se substituirmos a palavra deus por universo :
-há a possibilidade de outros mundos possíveis
-todos os mundos possíveis são o que chamamos universo (incluindo a possibilidade de universos paralelos e mundos imaginados pela mente humana, a própria mente humana e tudo que existe; a totalidade...)
-aquilo que é "todos os mundos possíveis" e todas as coisas, é absolutamente perfeito.
-o que é absolutamente perfeito é um deus.
-logo, o universo é deus .
se o universo é deus, tudo é deus.
-se tudo é deus não há diferença entre entes superiores e inferiores , há apenas deus.
-se há apenas deus e tudo é deus, nós somos deuses e até essa página é um deus e o mosquito que aqui está voando também...
-se tudo é deus, então nada é deus, pois, para haver deus ele tem que ser superior há algo; assim a hipótese deus perde o sentido, pois, se tudo é deus sugere que afirmar que nada é deus, também, é correto.
-logo , não há deus... )
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3-Se deus existe em alguns dos mundos possíveis ou algum, então, deus existe em todos os mundos possíveis.
(supondo que deus seja uma entidade com qualidades perfeitas absolutas, - deveríamos usar o termo Ser, então, no lugar de entidade - se deus fosse o Ser, onipotente, onipresente, onisciente , etc, existir parece ser uma qualidade necessária para esse Ser, mas estamos lidando com mais uma hipótese sobre o que a mente humana imagina ser um deus absolutamente perfeito , uma mente limitada arquitetando um projeto de divindade, mas, esse não é o único problema aqui, temos sim incompatibilidades desse conceito para com a realidade observável e incoerências internas da própria definição de deus que o torna inviável, vamos ver :
-Se deus é perfeito, como pode criar coisas imperfeitas, se você recorrer a ideia de "livre arbítrio" , temos aí mais um problema , para existir liberdade é necessário o acaso, o que pressupõe que algo escapa ao controle de deus, ele não poderia realmente saber o que vai acontecer em todos os instantes no universo inteiro, se entrar o acaso na jogada, logo a onisciência não seria mais uma qualidade divina... Quanto a onipotência , o velho paradoxo da "pedra mais pesada que deus que ele não poderia criar" , acaba com essa qualidade de forma bem simplória e quase ridícula, porém, lógica.
- Outro problema é como algo pode surgir do nada, isso vale tanto para deus quanto para o universo supostamente criado por esse deus, pois , se deus criou algo, sendo que só existia ele e o nada antes do universo, então ou ele é o próprio universo ou ele criou o universo do nada, o que é absurdo... Se ele for o próprio universo, caímos no panteísmo que desqualifica a divindade, pois, se tudo é deus, então, dá no mesmo afirmar que nada é deus...
-Supor que algo "surge do nada" ou que "sempre existiu" anula a possibilidade de análise lógica sobre tal afirmação; são as antinomias da razão como diria Kant.
- Outro problema : como um ente imaterial pode criar algo material-físico como o universo, já que duas coisas de naturezas absolutamente distintas não podem nem mesmo se tocar... Por exemplo, eu posso soprar uma folha de papel, posso tocá-la, poso colocar um laser sobre ela e queimá-la, pois, todas essas coisas são materiais , mesmo a luz é partícula e onda, o ar é material, minha mão é material e a folha também é material(feita de átomos; física), agora se eu fosse um "espírito" imaterial jamais poderia mover uma folha de papel (essa Descartes compreendeu e por isso teve que recorrer a uma hipótese absurda para solucionar o problema levantado por sua teoria que assumia a mente humana como algo imaterial "Como um "eu" imaterial pode mover um corpo material", Descartes disse, então, que deus é que estabelece a conexão entre a "mente pensante" e o corpo material, sem dúvida algo muito estranho) .
-Sobre a questão do "mal no mundo" e a perfeição divina: se há "mal" no mundo ( embora isso seja na verdade apenas um ponto de vista da moralidade humana que depende de influências culturais...Mas, supondo que realmente há "mal no mundo", que isso existe independente das perspectivas relativas humanas...) esse mal só poderia ter como fonte o criador, caso contrário seria, então, algo independente de deus e não criado por ele, como uma outra realidade que seria criada por um outro deus ( seguindo a hipótese teísta de que há criação do universo...) e mesmo que se diga que o mal é a "ausência de deus " temos
mais problemas ainda,pois, aí deus não seria onipresente ; se o mal é o distanciamento de deus ou a negação de deus, além de deus não ser mais onipresente , também , encontramos aí uma outra natureza diferente de deus que não teria sido criada por ele, o que acaba com a hipótese do deus criador , onipotente, absoluto etc)
(as demais premissas e a conclusão abaixo se anulam a partir disso... )
4-se deus existe em todos os mundos possíveis, então, deus existe no mundo real
5-se deus existe no mundo real então, deus existe
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Sobre os limites da racionalidade :
Lembrando I. Kant, esse filósofo, argumenta que não podemos pensar "deus", pois estaria além dos limites de nossa possibilidade de entendimento racional...Bom, se assim é ( e concordo que temos limites em nossa capacidade racional e perceptiva),se assim é, então: acreditar em deus se reduz a um simples posicionamento moral baseado em uma crença no vazio, pois, deus não se manifesta para nós e não podemos pensá-lo nem percebê-lo (caso contrário, se pudéssemos percebê-lo, seria algo sujeito à análise racional de alguma forma) .
Uma crença baseada na ignorância que temos sobre o que não percebemos é , no mínimo, um posicionamento moral muito problemático e desnecessário, que só gera mais problemas que soluções, na verdade, como a história humana atesta muito bem...Mas, e se mesmo assim pudéssemos percebê-lo de alguma forma, porém, não pensá-lo adequadamente, por ser algo tal como a ideia do “infinito”, a crença estaria baseada na simples admiração para com o absurdo de uma ideia nebulosa. Deixo aqui de lado os motivos psicológicos para a crença na divindade, pois, esses nada demonstram sobre a existência ou não de um deus.

P. Vinícius